Para quem já anda por aqui há algum tempo e para quem por agora faz as primeiras visitas, fazemos o resumo do que se passou por cá na segunda metade de 2010 (a primeira parte pode ser consultada em ‘Dicas dos Biólogos’).
No mês de Julho os juvenis de cegonha-branca passaram a ausentar-se cada vez mais dos ninhos, devido aos seus intensos treinos de voo, só regressando ao lar para se alimentarem de regurgitações dos progenitores. Os progenitores, com a prole mais independente, também passaram cada vez menos tempo nos ninhos.
Em Agosto e Setembro os ninhos estiveram quase sempre vazios durante o dia, com as cegonhas talvez a procurarem sítios mais refrescantes. Só ao fim do dia algumas regressavam aos ninhos.
No décimo mês do ano, os juvenis estavam tão desenvolvidos que já não se distinguiam dos progenitores. Os ninhos eram visitados durante a noite e até ao início do dia por indivíduos que podiam ser os casais originais, os juvenis ou aves de passagem.
A partir de Novembro, alguns ninhos foram ocupados por casais e puderam ver-se algumas cópulas. Devido à semelhança entre indivíduos, não foi possível confirmar se se tratam dos mesmos casais. Contudo, sabemos que em geral a fidelidade das cegonhas ao ninho é elevada e isso pode ser determinante na reconstituição dos casais.
Lembramos que parte da população de cegonha-branca que ocorre em Portugal continental é migradora e parte é sedentária, passando cá o Inverno. O número de indivíduos que se sedentarizam em Portugal é maior de ano para ano, devido às alterações climáticas e à maior disponibilidade de alimento. Assim, as cegonhas que observamos a partir de Outubro são indivíduos sedentários que não migraram para o Norte de África!