quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Resposta sobre migração

Uma interessante pergunta do lms, que serve para falar um pouco mais sobre migrações! A Península Ibérica recebe dois tipos de migradores: os invernantes e os estivais reprodutores.
Os invernantes chegam geralmente do norte da Europa, procurando fugir aos rigorosos Invernos, dos locais onde se reproduzem. Encontram em Portugal e Espanha, clima menos severo e maior disponibilidade alimentar. Alguns exemplos de migradores invernantes no nosso país: a petinha-dos-prados (Anthus pratensis), que "invade" o nosso país aos milhares, e o abibe (Vanellus vanellus) muito comum no sul do nosso país a partir do Outono.
Os estivais reprodutores, tal como o nome indica, deslocam-se ao nosso país durante os meses mais quentes para nidificar. Estas espécies vêm na sua maioria de África subsariana. Nessas regiões existe um biodiversidade muito elevada, havendo consequentemente uma elevada competição por recursos. Assim sendo, a migração é uma estratégia evolutiva que certas espécies desenvolveram, deslocando-se para regiões onde há menor competição por recursos numa altura crítica como é a nidificação. Outros exemplos deste tipo de migradores, são o colorido abelharuco (Merops apiaster) ou a águia-cobreira (Circaetus gallicus).

Nos últimos 20 anos, temos vindo a assistir a um número cada vez mais elevado de cegonhas-brancas a invernar no nosso país. Algumas das que cá encontramos no Inverno, nidificam também em Portugal, sendo aparentemente residentes no país, outras chegam da Europa central e invernam na Península Ibérica. Temos vindo a assistir a uma mudança de estratégia evolutiva por parte de algumas populações de cegonhas-brancas, já que os perigos e dificuldades de uma migração de longa distância parecem não compensar. Porquê? A razão prende-se essencialmente com a maior disponiblidade alimentar verificada nos últimos 20 anos. Os aterros sanitários são uma fonte inesgotável de alimento explorado pelas cegonhas-brancas durante todo o ano. Outra das razões foi o aparecimento em grande escola de um novo recurso trófico no início da década de 80 do século passado: o lagostim-vermelho-do-louisiana (Procambarus clarkii), uma espécie exótica invasora, introduzida nas zonas húmidas da Península Ibérica.